terça-feira, 11 de outubro de 2016

Alto Paraíso de Goiás - Natureza Exuberante, Clima Zen e ETs




No coração do Brasil, em meio ao cerrado, está Alto Paraíso de Goiás, a rota dos peregrinos da Era de Aquário, a cidade que atrai esotéricos, astrólogos, tarólogos, terapeutas e espiritualistas do mundo todo, onde algumas casas tem formatos exóticos de pirâmides e gotas, e há relatos de  disco voadores e seres extraterrestre.


Os mistérios que envolvem Alto Paraíso está relacionado ao fato do município ser cortado pelo paralelo14, que também atravessa Machu Picchu, no Peru, e ficar sobre uma placa de quartzo de quatro mil metros quadrados cercada por rochas e paredões.

Os místicos acreditam que a força dos cristais protege a cidade de qualquer catástrofe. Na virada do milênio, milhares de pessoas compraram terrenos na cidade com a crença de que lá estariam protegidos do apocalipse. Como sabemos não foi dessa vez, mas fica a dica. kkkk.
É para esse lugar exótico, com uma beleza natural exuberante, que eu viajei em busca de paz e novas experiências. 


Alto Paraíso de Goiás recebeu da Unesco o título de Patrimônio da Humanidade e abriga o distrito de São Jorge, a porta de entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.
A viagem até o município começou em Brasília, onde aluguei um carro e percorri uma longa estrada durante cerca de duas horas.
No Portal de Entrada de Alto Paraíso tem um disco voador. Isso é apenas o começo só para entrar no clima.  


A cidade tem uma rua principal onde ficam os restaurantes, lojinhas e algumas pousadas. A maior parte vende cristais, roupas e acessórios indianos e, claro, remetem aos ETs. Tem uma galera hippie, mas a maioria é turista de todas as idades que vem atrás das cachoeiras.
Em Alto Paraíso existem mais de 120 cachoeiras catalogadas de diversos tamanhos e águas cristalinas de variadas cores.

Nós ficamos hospedados na Pousada Casa Rosa, que oferece um ótimo café da manhã, além de ser bem localizada. Já era final de tarde, por volta das 16h00, mas o dia ainda estava claro, fazia calor e decidimos tomar banho de cachoeira.

Nesta tarde conhecemos a Cachoeira dos Cristais. São sete piscinas naturais, a dica é caminhar até a última – cerca de 400 metros - chamada de véu de noiva e depois na subida ir parando nas outras piscinas. A trilha não é longa, mas o percurso na subida é um pouco cansativo. Neste lugar tem uma lanchonete e lugar para fazer um piquenique ou meditar. Zennnnn....
 

No segundo dia na cidade nós visitamos as Cachoeiras São Bento (R$ 10,00), Almécegas I e II (R$ 30,00), que ficam dentro de uma propriedade privada, com uma pousada e pequenas casas. Ali, aos finais de semana, funciona uma tirolesa. Não é preciso contratar um guia para visitar esses lugares.

O percurso mais difícil é até a Cachoeira Almécegas I. É preciso caminhar por uma trilha de grau médio, com pedras e subidas íngremes, que exige um pouco de coragem e muita disposição, mas vale a pena.

Antes de chegar à cachoeira, é possível dar uma paradinha no mirante para apreciar a queda d’água (50 metros) que escorre em um paredão de quartzito em meio a árvores e plantas.


Essas cachoeiras ficam na direção do Distrito de São Jorge, há 36 km de Alto Paraíso, um lugar muito rústico, mas com boas opções de restaurantes e pousadas. Nós almoçamos no Restaurante da Nenzinha, delicioso!
 

O Distrito de São Jorge é a porta de entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. No início do século XX, era uma antiga vila de garimpeiros, mas hoje a principal atividade é o ecoturismo.


Após o almoço, ainda fomos conhecer o famoso Vale da Lua (R$ 20,00). O grande atrativo do local são as formações rochosas esculpidas pela força da água do Rio São Miguel, um cenário que lembra o da superfície da Lua. Entre as pedras, existem pequenos poços d’agua e cachoeiras.

Já era quase 17h00, horário que o lugar fecha para os turistas, e estava começando a esfriar, por isso, decidi ficar apenas nas pedras e não entrei na água da cachoeira. Mesmo assim, o visual do lugar me encantou.

Não sei se foi à boa energia do lugar, mas neste dia estávamos incansáveis. Kkkk. Decidimos tomar banho nas Águas Termais do Morro Vermelho, que fica há 15 km de estrada de terra de São Jorge.
Nas termas existem três piscinas de pedras rodeadas por árvores. É uma excelente opção para relaxar após um dia de muitas caminhadas.  Saímos de lá quase 20h00.

No terceiro dia em Alto Paraíso, nós conhecemos a cachoeira do Poço Encantado, onde tem uma pequena praia de areia branquinha. O grau de caminhada até lá é bem tranquilo, por isso, tem muitas famílias com crianças.

A nossa ideia era relaxar e poupar energia porque no dia seguinte pretendíamos ir até Cavalcante, onde ficam as Cachoeiras da Capivara e Santa Bárbara.   


É um passeio longo até essas cachoeiras. Elas estão na terra do Quilombo Kalunga e para chegar é obrigatório contratar um guia no centro de atendimento ao turista.
Eu aconselho a chegar cedo para conseguir curtir esses lugares de forma mais tranquila, depois de certo horário – do meio dia para tarde - será preciso disputar espaço com dezenas de turistas.
Além disso, é pela manhã, quando o sol reflete nas águas da cachoeira de Santa Bárbara, que o tom de azul fica mais bonito.

Após contratar o guia na cidade de Cavalcante prepare-se para uma grande aventura. A estrada até as cachoeiras é de terra e a poeira dificulta a visão do motorista, além disso, tem que atravessar rios, pontes estreitas e driblar os buracos. Chega a ser perigoso.

A primeira parada é em um posto de apoio, localizado dentro da terra quilombola, onde compramos os ingressos. Ali também é possível comprar artesanatos e algumas comidinhas típicas.



 A história dos Kalungas teve início no período da mineração do Brasil Colônia, em meados do século XVIII, quando os bandeirantes passaram a explorar as minas de ouro de Minas Gerais e Goiás. 

Em Cavalcante, no auge do período da mineração, que durou 50 anos, mais de 20 mil negros trabalhavam nas minas de ouro do município.
Cansados de serem explorados, os negros fugiram e se refugiaram na mata e entre serras, locais de difícil acesso. O território Kalunga é cercado delas. Serra do Mendes, do Mocambo, Morro do Mangabeira, Serra do Bom Jardim e por aí vai.
 

Esse passeio é incrível e dia passa rápido. As paisagens e as cachoeiras são fantásticas.  Nós almoçamos em uma casinha simples na comunidade quilombola e chegamos ao hotel por volta da 19h30.

À noite em Alto Paraíso tem várias opções de restaurantes, alguns com luz de vela para um jantar romântico e outros mais descolados.


Durante o dia, se você estiver cansado, pode optar por fazer sessões de massagens, meditação ou vivenciar experiências místicas e espirituais. Esse lado místico é muito forte na cidade e não faltarão opções. O difícil mesmo é dar conta de tudo isso.
Em Alto Paraíso também existem muitas lojas de produtos naturais, com remédios a base de ervas típicas do cerrado, fórmulas que foram passadas por ancestrais.

Alto Paraíso é um lugar muito simples, sem luxo, para quem deseja ficar em meio a cenários exuberantes e buscar a paz interior.
Se eu consegui? Quatro dias não são suficientes para mudar uma pessoa, mas foi uma viagem repleta de boas energias e voltei revigorada.
Se você ficou curiosa para conhecer Alto Paraíso saiba que o clima na região é bem definido: verão chuvoso e inverno seco. Leve na mala um tênis para fazer caminhadas, roupas leves, boné e filtro solar.
Ah! Aviso importante: lá o sinal do celular é muito ruim e se você é do tipo que não consegue se desconectar do mundo pode sofrer com crises de abstinência.

Mas, isso não é motivo para deixar de visitar Alto Paraíso, pense: Porque ir atrás de sinal de celular quando todos estão à procura de disco voador? Kkkk.
Apenas sinta a energia, zennnnnnnn......