sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

360 graus de razão

Por Giobert M. Gonçalves


Acidente aéreo e duas aprovações políticas serviram para dar o tom da semana. E de quebra, pelo menos no meu face, muita gente pedindo para 2016 terminar logo. Em meio a tantas coisas acontecendo no mundo, claro que todos querem dar sua opinião sobre elas.
E é muito importante que cada um tenha uma opinião formada embora, muitas vezes, essa seja uma opinião desinformada porque apenas repetimos o que ouvimos falar sem muito questionamento. 
Para isso eu dou o nome de crença – crença é toda frase com intenção de ser verdade que a gente simplesmente não discute. Exemplos populares de crenças? Homem não chora, manga com leite pode matar, bolo quente da dor de barriga. Essas crenças nós até damos risada, mas existem crenças mais novas e nem tão populares, diria até particulares que são muito mais perigosas. Acredito naquilo veementemente e me agarro e defendo isso com minha própria vida. Mato se for o caso! E é o que vemos nas redes sociais.
Hoje eu fui a um mercado comprar bananas. Não é o mercado habitual que vou, era um mais popular, mas que estava no meio do meu caminho.
Estava na fila esperando para pesar minhas bananas e mexendo no meu celular para me distrair, e tão distraído fiquei que a moça da balança quando chamou, eu não ouvi e a pessoa que estava atrás de mim passou na minha frente na maior cara de pau. 
Como eu estava de bom humor, relevei, mas não deixei de reparar na falta de ação e na expressão constrangida da moça. Vocês acreditam que na segunda vez que ela chamou eu me distraí também e que outra pessoa passou na minha frente? 
Isso me fez pensar em como as pessoas reclamam, mas agem da mesma forma que criticam, seja da mesma ou de outra situação. Respeito, ali faltou o simples respeito pelo próximo. Mas existe outro universo que não esse.
Normalmente eu faço compras em outro mercado, considerado elitista, dizem que com preços mais caros. Na verdade, esse mercado tem os mesmos preços que o outro, pois já fiz a comparação, o que ele tem são produtos diferentes, o que a gente chama de perfumaria e, numa compra, pesa e fica mais caro.
O básico, mesmo preço, mas o atendimento é de outro universo. Lá as pessoas são solicitas, educadas. Pelo menos eu sempre encontro isso. Ou será que sou eu o educado? Acho que não, sou capaz de muita grosseria... rs!
Vocês devem estar se perguntando o que o primeiro parágrafo tem a ver com o segundo. Vamos ao último parágrafo...
A vida é um aprendizado. Hoje eu ouvi um exemplo que achei muito lúdico. A vida é como uma cordilheira, muitas montanhas e entre essas montanhas, muitos vales, desfiladeiros e precipícios. A vida é cheia de altos e baixos. 
E o aprendizado da vida é como essa paisagem. Você sobe a montanha ou cai num precipício e esse subir e descer forma a cadeia do aprendizado. Você sobe uma montanha, e vai subindo até chegar ao topo. Isso não significa que você é o rei da montanha. Subir a montanha não te torna um bambambam na vida, te torna talvez um especialista nessa montanha, talvez até ajude a subir outras montanhas, mas não todas as montanhas. Porque elas não são iguais. 
E quando você está no topo de uma montanha, você pode estar sozinho, você vê muitas outras montanhas com outras pessoas em seus topos, mas todos estão sozinhos, isolados. É o subir e descer das montanhas que faz com que você se relacione com as dificuldades e diferenças que outras pessoas em movimento também passam. E principalmente, compartilham. 
Nós não estamos sozinhos no mundo para nos encarapitarmos no alto das nossas montanhas pessoais. Nós vivemos em sociedade com pessoas em todos os níveis de aprendizado. Podemos tanto aprender com quem está acima como com quem esta abaixo.
O que os dois parágrafos tem de iguais? Pessoas no topo da montanha, sozinhas. Mas se achando importante com sua crença de que tem razão. O mundo tem 360 graus de razão e não é propriedade de ninguém, é o conjunto de todos.