quinta-feira, 23 de março de 2017

O ateliê de Bel Galvanese - A artista do sorriso que iluminou um dia de chuva



Eu estava devendo esse post desde o dia em que conheci o trabalho da artista plástica, Bel Galvanese, e isso faz bastante tempo, antes de eu pensar em ter um blog.
Já admirava o trabalho dela à distância, como o painel de cerâmica em relevo que foi instalado na principal praça da cidade.
Mas, nós vivíamos em mundos diferentes. Eu presa a redação de um jornal diário e ela no ateliê experimentando novas técnicas e formas de nos encantar com a sua arte.
Da janela do meu carro eu sempre a via indo ou voltando do centro da cidade de bicicleta, por opção, esse é o principal meio de transporte da sua família e eu pensava:

- Queria tanto ser amiga dela!
 
 
Nós nos aproximamos há pouco tempo por causa do grupo de Escrita Criativa do qual fazemos parte e ajudamos a organizar.
Um dia tomei coragem e perguntei se ela concordaria em desenhar as ilustrações para o meu livro de crônicas.
Para minha surpresa, ela abriu o maior sorrisão e disse que lia as minhas crônicas e ficaria muito feliz em participar deste projeto.
Ela fez as ilustrações e a capa do livro, que em breve será lançado. Está quase...
E, entre tantos encontros, um dia decidi arriscar e fazer o convite para que ela escrevesse no Blog Encantes sobre arte e meio ambiente. Ela topou.
Somos parceiras no grupo de Escrita Criativa, no Livro e no Blog Encantes..., mas faltava eu conhecer o ateliê em que ela trabalha e dá asas à imaginação.
A oportunidade surgiu quando eu e a minha amiga Renata Giudice decidimos abrir a Loja Encantes, com objetivo de divulgar e comercializar os trabalhos dos artesãos da região.
Claro, que a Bel tinha que estar junto. E ela está.
Há alguns dias, nós fomos até a casa dela para conhecer o ateliê e escolher as obras que serão vendidas na loja.
Neste dia, além de fotografar o ateliê, tínhamos programado fazer algumas fotos e filmagem, mas estava nublado e no ar pairava um cheiro de chuva.
Confesso que eu estava um pouco desanimada com o mau tempo, mas ela nos recebeu com um sorriso tão radiante, que o dia ficou iluminado!
Sem nenhuma cerimônia, nos fez caminhar pelo seu jardim até entrar no seu mundo mágico.


Lápis coloridos, ilustrações para livros infantis estavam espalhados pela mesa. Um imenso mosaico inspirado na caiçara Druzilla chamava atenção.



 Na parede, estavam os desenhos e os painéis de cerâmica em relevo. No cantinho do ateliê, fica o torno onde ela cria as cerâmicas.
A luz que entrava no ateliê através de uma janela tornava o ambiente ainda mais encantador. Eu não lembro quanto tempo demorei ali, passou muito rápido.
Enquanto ela me mostrava as suas obras e contava sobre novos projetos, eu conheci um pouco sobre a sua história.
Eu sabia que ela era formada em Biologia, mas não tinha ideia que a escolha da profissão ocorreu por influência de uma tia, que era paisagista.
Quando menina, Bel ia brincar na chácara dela, mas ao invés de se divertir com as outras crianças, ela gostava de ficar plantando, fazer mudas e ouvir histórias sobre as plantas.
Além da tia, outra influência muito forte na vida dela foi avó, uma apaixonada por samambaias e rendas portuguesas.
Bel ainda tem na sala de casa uma renda portuguesa, que é “filhinha” de uma das plantas que foi cultivada pela avó.
Ela teve a sorte de encontrar um companheiro que também é admirador das plantas, o Edu, que anda sempre com os bolsos cheios de sementes, que sai espalhando por onde passa. Juntos eles tiveram dois filhos: Gabriel e Fábio.


Lembra que eu contei que a Bel é formada em Biologia?
Então, quando escolheu morar no Litoral Norte de São Paulo, ela foi ser professora, mas isso durou apenas 6 meses porque percebeu que gostava mesmo é de ficar ao livre com as suas plantas e não fechada em sala de aula.
Ela trabalhou como voluntária no Cebimar– Centro de Biologia Marinha da USP, em São Sebastião e depois fez parte da equipe do Projeto Tamar, que protege as tartarugas marinhas, em Ubatuba.
Mas, isso foi há muito tempo...
Há quase 20 anos, a Bel se dedica às artes plásticas, principalmente a cerâmica e o desenho.
No início a Bel me contou que não via relação entre esses dois universos, mas graças ao incentivo do pintor Antônio Carelli, que é seu mestre no grupo Desenho Vivo, hoje domina as duas artes com muita elegância e equilíbrio.

“Ele disse: - Calma! E hoje o desenho é tudo para mim. Eu olho para uma pessoa e vejo tudo que está ao redor. Enxergo como a cena poderia ficar no desenho”, recorda.





Eu perguntei se ela era sempre assim corajosa, se jogando de cabeça em seus projetos, sem medo de fracassar.
Ela me respondeu que todos os dias precisa encarar um fracasso, um desenho que não sai bom, peças que quebram ou caem no chão.

- “Não adianta a gente se proteger porque não anda, fica velha e careta”.

- “Vou levar isso para a minha vida!”, eu respondi.

E ela:

- "Você é muito corajosa! Escreve no Blog e ainda convida outras pessoas para escreverem com você. Agora a Loja Virtual em uma época que o Brasil está em crise. O livro...”

Como é bom ter uma amiga tão generosa como a Bel, não é?

Bel o que você faria se não fosse artista?

- “Se eu não fosse artista não seria como sou. Não seria uma pessoa. Devo tudo ao Litoral Norte porque me trouxe a arte, aqui aprendi a ter liberdade e a quebrar a cara e sou mega grata por isso”.

Então, pedi para ela deixar uma mensagem para você, leitor (a) do Blog Encantes, e ela recitou um trecho do poema de Fernando Pessoa:

“Põe o quanto és no mínimo de fazes”

Puxa, Bel... que orgulho eu sinto de ser sua amiga!

Se você quiser conhecer o trabalho da Bel, acesse o link da Loja Encantes: http://www.encantes.com.br/