sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Qual é o meu bloco preferido?


Por Giobert M. Gonçalves



Quando o desânimo chega eu vou logo falando: ...nada! Porque fico desanimado mesmo. Por que é tão difícil a gente sair do desânimo? É a forma que a gente vê o mundo que causa isso. Vou explicar a diferença entre uma pessoa que procrastina e uma pessoa que é proativa.

Vamos pensar numa pia cheia de louça. Nessa situação a que procrastina vê a pia cheia de louça e desanima com o trabalho a ser feito. No caso da pessoa que é proativa ela vê a pia limpa e se anima com o trabalho a ser feito. Parece besteira, mas a maneira como você vê o mundo na sua mente é a maneira como será o mundo. Você já pensou como você pensa?
Outra coisa que pode desanimar é a falta de propósito. Por que estou fazendo o que estou fazendo? Quando o propósito, ou missão, ou sentido, ou motivo, ou o nome que você quiser dar para aquilo que vai resultar naquilo que você está fazendo não tiver algum valor, não vai dar vontade de fazer. É como tentar assistir a um filme muito chato e tentar não dormir no meio. Impossível! Precisamos ter um motivo para a ação = MOTIVA AÇÃO. Simples? Qual o sentido da sua vida?
A última coisa que eu conheço e que desanima é o passado. Um passado mal passado deixa qualquer um com um sentimento de desvalia profundo e, daí, nada vale à pena. Não ter sido reconhecido em algum contexto da vida passada pode trazer ao presente dificuldade de lidar com contextos atuais que tenham links com aquela experiência. Não precisa acontecer em todas as áreas da vida, apenas naquela específica. Aí fica parecendo que a pessoa não faz sentido porque ela é tão animada em fazer algumas coisas e em outras ela não decola. Faz sentido?
Existe outra questão que não é desânimo, mas falta de ânimo. Vocês vão me falar: Não é tudo a mesma coisa? Não é não! Parece ser, mas não tem a ver com desânimo, e sim, com prazer.
Estamos na boca do carnaval e, claro, que o Brasil está no ritmo da diversão, todo mundo animadinho! E eu estou sem ânimo nenhum para pular. Assim como muita gente, não é verdade? Bom, pra quem está animadinho: GO! Divirtam-se, curtam muito, mas cuidado com o espaço do vizinho, é possível se divertir com respeito. Mas para quem está sem ânimo, divirta-se do mesmo jeito, procure aquilo que te faz feliz. Eu, por exemplo, vou monitorar um curso na minha área de trabalho, e vou me divertir muito. Mas antes de ter essa leveza, eu ficava pensando: Nossa! É carnaval e você vai trabalhar? E sentia certo incômodo, talvez uma vozinha interna dizendo que eu tinha que me divertir, que eu trabalho muito etc.
Deixa eu explicar: eu sempre fui workaholic, viciado em trabalho. Era uma maneira de compensar a minha dificuldade de lidar com a aceitação. Se eu trabalhasse muito seria admirado pelo meu pai. Então, sempre fui desanimado para determinadas coisas chamadas lazer por conta lá do terceiro exemplo acima. Mas, mesmo depois de “resolver” isso, não tinha ânimo para determinadas coisas como carnaval, por exemplo. Eu até vou, eu até sambo, eu até mostro que estou me divertindo, na verdade é até divertido... Mas a verdade mesmo é que eu gosto de estar em contato com pessoas (no carnaval isso acontece), de me relacionar com as pessoas (isso acontece no carnaval?), e de ter experiências profundas dessas relações (isso não acontece no carnaval, mesmo!). Mas isso acontece nesse monitoramento que vou fazer. E isso gera o prazer que eu gosto de sentir. Demorei muito para perceber isso e me cobrava muito: Será que você é depressivo? Nada! É apenas estar fazendo algo que nem é chato, mas que não é o teu prazer. Que não é aquilo que dá vida a vida. E isso acontece também na Páscoa, nas Festas Juninas, no Natal e no Ano Novo. Para cada um de forma diferente, para cada um numa data diferente.
Não precisamos nos divertir da mesma maneira, mas com certeza, precisamos nos divertir. Então foliões do Brasil, divirtam-se!! Cada um no seu bloco, cada um no seu ritmo.