sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Você é um homem ou é um rato?


Por Giobert M. Gonçalves


Semana passada eu falei mais um pouquinho do cérebro, esse maluquinho! Vocês já pararam para perceber como o cérebro funciona? É impressionante como ele consegue pirar e despirar continuamente. A minha dúvida (nem tanto) é se a gente está no controle, ou se é ele que controla tudo alucinadamente. Eu disse que o cérebro obedece à mente como uma gueixa, mas às vezes, tenho minhas dúvidas. Ele parece trabalhar como uma entidade separada. Até ouço a conversa dele. Ainda bem, que na altura dos meus 53 anos, já não caio tão fácil assim na sua lábia.


Essa semana eu enfrentei um dilema de vida: saber se eu consigo realmente controlar o meu pavio curto ou se é ilusão até aqui. Explico melhor. Minha família por parte de pai era de pessoas da pá virada, tudo era resolvido no berro e no murro. Pelo menos é como eu representei dentro de mim (um aparte: vocês sabem que a vida real é interpretada pela mente / cérebro de acordo com a experiência interior? É assim, se eu tenho uma representação interna de violência, eu vou captar a violência do mundo externo. Eu adequo o mundo externo ao meu mundo interno). Bom, voltando ao dilema, eu tinha que executar um trabalho e precisava de uma prestação de serviço. Cheguei ao local e perguntei para a atendente se eles faziam tal serviço e como era. Ela disse que fazia e que funcionava assim assado. Eu fiz mais algumas perguntas e percebi que a atendente não tinha a mínima vontade de esclarecer, ou melhor, ela tinha uma explicação tipo papagaio, mal explicada e, ainda por cima, dizia que eu não estava entendendo e explicava novamente da mesma maneira. Eu não estava entendendo mesmo, mas tentei perguntar de outras maneiras para ver que se por outro ângulo eu conseguiria captar a informação. Em vão! Em PNL (Programação Neurolinguística), nós temos um pressuposto que diz: A responsabilidade da comunicação é do comunicador. Enfim, desisti de tentar entender e segui em frente.
No dia seguinte fui novamente ao prestador de serviço após ter enviado por e-mail a arte do serviço a ser realizado, para pagar e autorizar o trabalho. Cheguei, cumprimentei com um sorriso de boas intenções, porque no dia anterior a impressão já tinha sido péssima, mas vamos tentar ser melhor hoje do que fui ontem. Disse que iria fechar o serviço e queria pagar. Perguntei se tinha recebido o arquivo e se estava tudo certo. A resposta foi um desdém sim de cabeça. Tudo bem, vamos seguir em frente. No meio da conversa eu falo novamente o que eu queria e ela diz: Mas isso a gente não faz! Eu senti aquela descarga de adrenalina de quando algo saiu dos eixos e perguntei, sem alterar a voz (ponto pra mim): Mas ontem você disse que fazia! E a reposta veio como um desinteresse de cinquenta quilos na cabeça: Ah, eu não entendi. (Tipo foda-se“dane-se”). ÓMAIGODE! O meu comportamento educado queria chutar o pau da barraca, criou um congestionamento de pensamentos na minha cabeça que gerou um engarrafamento sem solução na minha mente. Respirei tão profundamente que todo o ar ao redor estava somente ao meu serviço. E haja ar para fazer os pensamentos conseguirem circular novamente. Tentei buscar uma solução fazendo algumas perguntas e recebendo apenas respostas desinteressadas da atendente. Disse a ela que iria pensar, foi o que consegui fazer no momento. Sai do lugar com foco na solução. Vou achar uma solução independente das respostas parvas. Fui a outros estabelecimentos tentando solucionar o problema e achar uma saída para o serviço que eu queria executar. Outras atendentes mais atentas foram me aconselhando até que cheguei à outra empresa que fazia o mesmo tipo de serviço e perguntei sobre. Eles também executavam, mas tinha um detalhe que não faziam. Detalhe esse que, para mim, fazia bastante diferença.
Voltei para casa desencantado. Pensei e vi que só tinha uma solução: fazer o serviço do jeito que dava para fazer na primeira prestadora. A contragosto, no dia seguinte me dirigi ao local de trabalho da atendesdénte e, novamente com um sorriso de boas intenções, disse que iria fazer o serviço no que ela respondeu:

- Você envia o arquivo novamente porque eu joguei seu e-mail fora? Como você se sentiria nesse momento? Eu me senti como o emoji do grito de Van Gogh! Respira. 

Como estava com meu smartphone, foi fácil enviar novamente o e-mail para ela. Pedi para ela verificar. O computador estava travado. O pânico (será que era pânico mesmo ou era o emoji?) subindo como um inseto de oito patas pelas minhas costas. Apesar da minha mente pensar em pegar a atendente pelos pés e rodá-la batendo sua cabeça em todas as paredes numa tentativa de deixá-la mais esperta, eu resisti. Finalmente poderia dizer que eu venci o carma familiar, a herança genética do pavio curto.
Ufa! Consegui pagar e pedir uma atenção especial da parte dela por conta dos nossos mal-entendidos para que o serviço saísse em ordem. O que eu consegui dela? Nada!Simplesmente um olhar de completo desentendimento do que estava acontecendo. Sai de lá com a sensação de problemas borboleteando no ar, totalmente inseguro em relação à entrega do serviço. O que eu fiz? Novamente respirei todo o ar a minha volta (bem longe do estabelecimento, claro!) e foquei na solução, ou naquilo que eu precisava naquele momento. Eu precisava me sentir seguro, pois era um serviço para um cliente e não poderia falhar. Decidi ir até aquele outro prestador de serviço e fechar com ele também. O seguro morreu de velho. Caso desse errado alguma coisa, eu não teria como resolver, pois a entrega da prestação seria muito em cima do horário que eu mesmo teria para entregar ao cliente. No outro local eu fui atendido com cortesia, com prontidão e com atenção. E descobri que eles faziam o tal do detalhe (eu não havia prestado atenção porque havia ficado afetado da primeira vez) e, ainda por cima eram dois reais mais barato. Sai do segundo prestador de cabeça erguida, com toda minha dignidade recuperada. Voltei a ser um ser humano novamente!
Mas não pensem você que foi por conta do serviço e do atendimento em si. Não! Foi por conta de não ter deixado o pavio explodir. Olhei-me no espelho imaginário da minha mente e finalmente pude dizer: Você é um homem!