sexta-feira, 17 de março de 2017

Aceita um café com emoção?


Em uma tarde de verão, eu e a Re Giudice fomos até a casa da arte educadora, Cida Ivanov, para tomarmos um cafezinho e colocarmos a prosa em dia.
Eu conheço a Cida há muitos anos e já fiz diversas matérias com ela sobre o seu trabalho, por isso, fiquei responsável por agendar esse encontro.
Na maior cara de pau, perguntei se dessa vez não poderíamos conversar na casa dela. A minha idéia era aproveitar esse tempo que estaríamos juntas para descobrir mais sobre o seu jeito de ser e de viver.



A primeira surpresa foi saber que a Cida morava em um sítio, com direito a porteira e tudo. Um lugar muito tranquilo, cheio de plantas, que ela divide com dois gatos persas: Spencer e Myah.
Na casa dela tem uma varanda deliciosa com uma rede que dá vontade de deitar e ficar observando a natureza.



Os ambientes são claros, arejados e decorados com gosto e simplicidade. É do jeitinho que eu imaginava.

Com uma exceção: - Cadê as panelas, Cida?

Depois de explicar que as panelas ficavam no ateliê, ela perguntou se aceitávamos uma xícara de café.

- Lógico!

E lá fomos nós para a cozinha.

Muito à vontade, enquanto esperávamos a água ferver, nós engatamos uma conversa sobre como o açúcar afetava o gosto do café.

A Re estava me falando que o açúcar mascavo alterava o sabor da bebida e eu já estava pronta para sair em defesa do açúcar mascavo quando a Cida veio com uma informação genial!

- Café com açúcar mascavo é café de negro!

Ela explicou que os escravos tomavam café com açúcar mascavo.
Nós ainda estávamos falando sobre isso, quando sentamos na sala e eu percebi o quanto a xícara do café era bonita e delicada.


A Cida nos revelou que as xícaras pertenceram à sua mãe e tinham um grande valor sentimental.
Emocionada, ela nos contou que sempre ia à casa da sua mãe e ficava encantada por aquelas xícaras e sonhava com o dia em que as levaria consigo.

No final do ano, a Cida levou os seus alunos do CAPS 1 (Centro de Atenção Psicossocial) para uma vivência na cidade de Cunha, que é famosa pelas cerâmicas, e lá comprou um copinho muito bonito, que a faria lembrar daquele momento especial para sempre.

Mas, quando o Natal chegou, a grana estava curta, e ela nos contou que decidiu se desapegar daquele copo, daquele momento vivido com os seus alunos.
Era um gesto simples, mas a forma como a mãe retribuiu a encheu de alegria.


Ao ver que a filha estava abrindo mão de algo especial para presenteá-la, a mãe também percebeu que era hora de lhe entregar as suas queridas xícaras, sabendo que ela estava pronta para cuidar do seu pequeno tesouro, um gesto de confiança repleto de afeto.

E, foi assim, que nós ficamos sabemos sobre a linda história por trás daquelas xícaras. Depois disso, passamos a olhá-las com o coração.


Não queríamos nos despedir, sem antes ver o que a Cida estava criando no seu ateliê, que fica no bairro São Francisco, em São Sebastião, e juntas fomos até lá.


Ah! São tantas peças bacanas que foi muito difícil selecionar aquelas que mais gostamos. As panelas são itens obrigatórios em qualquer cozinha!


Mas, lá também encontramos luminárias muito charmosas e peças utilitárias como travessas e saboneteiras...é muita coisa!


Nesse dia, nós nos divertimos muito separando as peças.
Quando nos despedimos, percebi que eu me sentia feliz, em paz e admirando essa amiga ainda mais, agora pelos sentimentos bons que ela despertou em mim.


Se você quiser conhecer comprar uma peça da Cida, acesse o link da loja Encantes: http://www.lojaencantes.com.br/

Se você quiser saber mais sobre o trabalho da Cida Ivanov, leia também:

Mãos sujas de barro moldam vidas