quarta-feira, 31 de maio de 2017

Índia: o Triângulo Dourado


Um lugar com grandes contrastes, onde tudo se mistura, um lugar considerado mágico!

Por Valeria Souza Ramos


Embarquei em uma viagem para a Índia – terra de figuras para mim inspiradoras como Buda e Gandhi, terra das cores e misticismos – num piscar de olhos! Morando na Arábia Saudita, e tendo amigas expatriadas como eu, que adoram viajar e lapidar a cultura, resolvi aceitar o convite de duas amigas para compor um grupo e com elas viajar por 3 dias a Índia. Não poderia perder esta introdução ao país. Desta vez foi uma visita rápida e turística, mas pretendo algum dia voltar por meus interesses espirituais.
Como o convite surgiu 10 dias antes da partida, isto me levou a não acreditar muito que a viagem realmente aconteceria. Tive que dar entrada no visto online e o resultado só saiu um dia antes de viajar.
Feliz com tudo já organizado pelas amigas através de uma agência de turismo indiana, e com a aprovação do maridão me presenteando pelo dia das mães, lá fui eu rumo ao Triângulo Dourado, com mais 5 pessoas.

Adoro deixar a vida me levar...

E por lá orei aos Deuses para que me favoreçam sempre, me dando saúde e liberdade para conhecer as maravilhas deste nosso mundão! E claro, agradeci a cada instante por esta rica experiência.

Namastê em Sikandra
Como não foi uma viagem preparada antecipadamente por mim, confesso que estava um pouco apreensiva por entrar de gaiata no navio. Costumo sempre estudar bem o local a ser visitado, mas desta vez me deixei levar, contando com o guia do nosso grupo e com as amigas fluentes no inglês para sugar todas as informações.
São muitas histórias lindas e interessantes. Três dias foram poucos para me aprofundar, mas valeu muito a pena. Revivi minhas aulas de história e me instiguei a estudar mais sobre a cultura e a diversidade do povo para uma próxima visita. Neste post resumirei apenas os três dias que vivi por lá, sem entrar na descrição de toda a vasta e interessante cultura do país.
Depois de encher os meus olhos com a suntuosidade do aeroporto Internacional Indira Gandhi, que deixa no chinelo qualquer aeroporto brasileiro, chegava a hora de cair no caótico trânsito indiano.


Nos hospedamos no Hyatt Regency, durante os três dias e de lá saíamos todos diariamente às 6 da manhã para os destinos traçados, que estavam de 4 a 5 horas de carro de Delhi. Então já dá para imaginar o quanto de stress passamos nas rodovias onde os indianos adoram buzinar, acelerar em cima do vizinho e contribuir para o caos que é o tráfico indiano. É algo a se pensar se tiver interesse em visitar o Triângulo Dourado. Acho que a melhor opção talvez seja ficar dois dias em cada região, mas nós esprememos e fizemos o melhor que pudemos em apenas três dias.


Não experimentei, mas fiquei com vontade de imergir na cultura e tradição do povo, em um passeio no elefante, algo bem comum de se ver pelas ruas das cidades
Em um país com 1 bilhão e 200 milhões de habitantes, o trânsito é caótico. Se dirige na direção contrária à nossa, pela esquerda (a famosa mão inglesa), mas ninguém parece levar isso muito a sério. As ruas estão sempre cheias de animais, alguns até motorizados, camelos, búfalos, bois, cavalos, macacos, vacas, elefantes e vários outros seres vivos que disputam espaço com caminhões, tratores, ônibus que voam, motos, bicicletas, muitos pedestres e tuk tuks, mas pelo menos não nos assusta pelos número de acidentes de trânsito.


Por mais incrível que pareça, há pouquíssimos acidentes. O trânsito flui com a ajuda do deus Shiva, uma das maiores divindades do hinduísmo. Por exemplo, observamos que todo tipo de veículo vai se moldando ao fluxo, e muitas vezes se esbarram na luta por um espaço. Prova disso são os milhões de carros amassados que eu vi e sem espelho retrovisor, um artigo de luxo para eles. Eu me assusto com o trânsito na Arábia Saudita, mas agora entendo melhor, pois a maioria dos motoristas que dirigem aqui na Arábia são indianos. Precisei trabalhar meu humor, pois adoro o silêncio, e as buzinas por lá me deixaram zonza... Eles adoram um pi-pi-pi.
Confesso que mais marcante do que a sujeira nas ruas, a vacas adoradas em qualquer canto, as comidas sempre picantes, os vendedores de rua te forçando a comprar alguma coisa, os homens de turbantes com cheiro forte do sol escaldante na pele, as crianças equilibrando baldes de água para levar para casa, motocicletas conduzindo quatro passageiros, enfim ante tantas diferenças culturais, o que mais me incomodou foram as buzinas.
Foi uma aventura inigualável, isto me servirá para repensar quando reclamar do trânsito do Brasil ou da Arábia. Eu ia para cama à noite agradecida por ter sobrevivido ao caos da viagem e também por nosso motorista, apesar do jeito grosseiro de dirigir, não ter nos metido em nenhuma enrascada.

Além da vaca, o macaco também é sagrado na Índia, este é um Pop Star

O Triângulo Dourado resume-se na região de Agra, Jaipur e Delhi

O famoso Taj Mahal, o monumento lendário do amor
Taj Mahal é amplamente reconhecido como “a jóia da arte muçulmana na Índia”. É um dos monumentos mais famosos do mundo e um símbolo da rica história da Índia, construído pelo imperador Shah Jehan em 1630, para lembrar sua amada Mumtaz Mahal. Foi construído em mármore branco com incrustações de pedras semipreciosas, enquanto sua superfície é ornamentada com um excepcional trabalho de caligrafia. Este esplêndido monumento é reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.



A exótica e bela herança arquitetônica da Índia está representada por um grande número de monumentos famosos por sua magnificência, pinturas, esculturas e enredos históricos.
Começamos nosso tour pela extremidade ocidental de Agra, em Sikandra, onde fica o túmulo do imperador muçulmano Shah Akbar, o Grande. Ele estendeu seu império por todo o norte e centro da Índia e é elogiado por sua tolerância religiosa e pelo compromisso com as artes. Foi construído segundo o estilo arquitetônico Mughal, no século XVI. Os prédios ao redor têm lindos mosaicos com caligrafia elegante que caracterizam as principais atrações de Agra. O próprio Akbar planejou seu túmulo e selecionou o local ideal para ele. Foi construído em um forte que é histórico por ter sido a residência principal dos imperadores da dinastia de Mughal até 1638, quando a capital de Mughal foi deslocada de Agra para o Forte Vermelho em Deli. É também um local considerado Patrimônio Mundial da UNESCO, conhecido como a cidade murada, irmã e vizinha do Taj Mahal.
Enquanto visitávamos os vários salões espalhados pela cidade, o guia nos contou que Akbar foi casado com 3 esposas, uma hindu, uma cristã e uma muçulmana, mas ele tinha mais de 300 concubinas, que eram escolhidas a cada dia através de um jogo de damas, representado na foto abaixo pelos quadrados desenhados no piso.


Aberto diariamente do nascer ao pôr-do-sol, vale a pena conhecer Sikandra. A entrada da visita custa 110 INR (cerca de US$ 2). Para mais informações, consulte o site oficial da cidade de Agra.
Nascido em 15 de outubro de 1542 em Umarkot, na Índia, e entronizado aos 14 anos, Akbar, o Grande começou suas conquistas militares sob a tutela de um regente antes de reivindicar o poder imperial e expandir o Império Mughal. Conhecido tanto por seu estilo de liderança inclusiva quanto por suas guerras, Akbar inaugurou uma era de tolerância religiosa e de valorização da arte. Akbar, o Grande morreu em 1605.
Fatelhpur Sikri, é uma cidade planejada que foi construída para servir de apoio à capital do império, Agra. Akba escolheu um lugar que ficasse próximo a Sikri. A cidade foi matematicamente pensada e construída em arenito vermelho, no estilo indo-islâmico. Apenas 14 anos depois de sua construção, a cidade foi abandonada por falta de abastecimento de água, mas permanece totalmente preservada até hoje.
Não detalharei neste post as belas histórias de cada monumento, pois teria que me estender muito. Aos meus olhos cada um tem sua essência e rica história. Precisarei de outro post para fazer um registro fiel de cada um. Nesta viagem tivemos o prazer de conhecer a Pink city, a cidade cor de rosa de Jaipur, e também outros lugares incríveis como Red Fort, Wind Palace, Lake Palace, Amer Fort, Agra Fort, e claro, o imponente e esperado Taj Mahal em Agra
Em Delhi me encantei com o maravilhoso Templo de Birla, outro lugar que merece um post inteiro por se tratar do mais popular e interessante templo hindu que visitei por lá. É tão especial que não permitem que fotografem seu interior; é um lugar realmente sagrado, para se deixar levar e meditar.



Se você tiver mais tempo em Delhi visite o Templo de Lótus. Em forma de flor de lótus, é um edifício moderno, construído em 1986, que recebe recebe fies de várias religiões.


Adoro portas, cada cantinho tem um detalhe de milhares de anos de trabalho.


A região de Jaipur é conhecida por suas pedras preciosas, claro que precisava garantir estas, que além de tudo simbolizam os chacras sagrados.


Nosso grupo feliz e em harmonia na intensa boa energia da Índia.


As belas peças da arte em mármore são muito especiais na região de Agra e Jaipur. Visitamos uma fábrica e por interesse no negócio ou por carinho, recebi um coração esculpido na hora especialmente para mim. Uma autêntica recordação da arte indiana que me encantou.



Red Fort

O uso de mármore e decorações florais no interior do Forte Vermelho exibem um alto nível artístico e um trabalho ornamental do período tardio da arquitetura Mughal. Não me cansava de percorrer com os olhos cada detalhe, ficaria ali horas admirando sua beleza.


Para fechar com chave de ouro, tivemos uma experiência inesperada e única de música e dança tradicionais no hotel Mercure de Jaipur.

NAMASTÊ!