sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Bye, bye, sentimento indesejado!


Por Giobert M. Gonçalves


Eu fiquei muito feliz esta semana porque consegui algo que venho trabalhando há muito tempo: manter meu humor na boa diante de uma situação complicada. Vou explicar bem para que não haja dúvida. Manter o humor na boa é não ter um ataque de raiva diante de circunstância onde eu não tenho controle, mesmo que eu tenha razão.
Eu era conhecido por mim mesmo como o homem do pavio curto. Sabe o sujeito que na hora da discussão treme por dentro, gagueja, fica vermelho e você acha que vai saltar na sua jugular? Euzinho!
Eu venho de uma família com ancestrais vikings! Não de verdade, mas sempre pareceu. Na minha família tudo era pra capar. Todo mundo já saia no berro sempre e no tapa de vez em quando. Quando não era tapa no outro, era no vaso, no armário ou na parede mais próxima. Meu pai quebrou o pé chutando um vaso desses que a gente nem consegue levantar. O vaso subiu uns bons oitenta centímetros com o chute. Eu nem lembro porque ele fez isso, mas tenho uma vaga impressão de que nós, os filhos, tínhamos feito alguma arte.
Meu pai foi educado no esquema: se brigar lá fora e apanhar, apanha aqui dentro de novo! Ixi!! Era fácil não.
Mas lá no fundo de mim, eu não gostava porque quando acabava a discussão eu estava arrasado, exausto, como se um trator tivesse passado por cima de mim. Era um gasto de energia desnecessário e sadomasoquista. Principalmente porque na maioria das vezes não se resolvia a questão, apenas se colocava como o vencedor ou o derrotado, mas o entendimento e acordo não aconteciam nenhum. Era a lei do mais forte!
Quando eu ganhava estava tão exausto que não aproveitava a vitória e quando perdia a sensação de impotência, injustiça e revolta era tão grande que o que sobrava dentro de mim era só raiva, muita raiva. Então o pavio estava sempre curto.
O pior ou o melhor, não sei, é que eu tinha um anseio da paz, de verdade!
Fazia parte do meu discurso, a paz no mundo, o jardim florido, as crianças sorrindo, até a próxima discussão... Tem uma coisa que é engraçada, a luz, por menor que seja pode ser vista de longe na escuridão. O contrário não acontece.
Essa pequena luz dentro de mim buscando a paz nunca se deixou apagar e quando eu comecei a pensar (acredito que a raiva é de quem não pensa, aliás, a raiva cega o pensamento!) e perceber o resultado dos meus ataques comecei a buscar a mudança. Demorou, mas teve episódios significativos e acho, que o divisor, foi quando uma pessoa com quem eu discutia por telefone certa noite acendeu o meu estopim.
Peguei o carro que nem um louco pronto para entrar na casa dele com carro e tudo e, no meio do trajeto, fazendo uma curva a cem por hora, eu pensei: - É isso que você quer pra sua vida?
Veio toda a minha vida de agressividade passando como um filme na minha frente e eu decidi: - Não é isso que eu quero!
Eu consegui chegar à casa do sujeito que estava me esperando com um cabo de vassoura na mão (a minha fama me antecedia), e perguntei se ele achava mesmo o que ele disse quando falamos ao telefone. Meio assustado e tentando ser valente respondeu que sim no que eu respondi: - Então ok, enfia tudo isso no seu #@%& (naquele lugar mesmo porque eu ainda não era santo), virei minhas costas e voltei pra casa.
Foi uma decisão muito difícil e levei um mês para engolir aquele sapo.
À noite eu pedia a Deus, pro Yoda, pra Shiva, pra Buda, pro Preto Velho e todas as forças do universo me ajudarem a apaziguar minha alma raivosa.
Com o passar do tempo aprendi yoga, meditação e técnicas de liberação emocional que muito me ajudaram a continuar na minha luta pelo caminho suave. Isso já faz vinte anos mais ou menos.
Semana passada recebi a notícia de uma ação judicial que perdi. Incompetências à parte e sem entrar em detalhes complicados, eu teria que pagar uma quantia de meia centena. Sim, cinquenta mil reais!
O coração tremeu? Apertou? Ele explodiu e só vi as chamas da raiva e da sensação de injustiça e impotência subirem pelo meu corpo e incendiarem minha cabeça. A raiva cega, aliás, qualquer emoção em descontrole cega.
Da hora que recebi a notícia até a hora de dormir eu até que controlei bem porque tinha diversas coisas a serem feitas que tiraram o foco do problema. Mas na hora em que eu deitei a cabeça no meu travesseiro e fechei os olhos foi questão de segundos, a raiva veio como uma erupção vulcânica, os olhos arregalaram e eu pensei: - Não posso ficar acordado sofrendo! Preciso dormir e ter a cabeça fresca para resolver isso.
E no meio do maremoto emocional comecei a fazer uma técnica de liberação emocional. Depois de fazer uma sequência de cinco vezes, apenas cinco vezes, me surpreendi! Não havia mais o sentimento descontrolado dentro de mim.
Até voltei a pensar no assunto pra ver se a raiva voltava, mas sumiu! Estava tudo neutro. Depois de alguns anos utilizando essa técnica eu tive a prova não só da eficácia dela, mas como também do aprendizado dela. Como com qualquer coisa onde quanto mais você pratica, melhor fica, aconteceu o mesmo com a técnica.
Aproveitei e virei de lado para dormir. Bye, bye, sentimento indesejado!