sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Desistir pode ser uma oportunidade!

Por Giobert M. Gonçalves



O que leva uma pessoa a buscar ajuda agendando uma consulta com um profissional de qualquer área, iniciar um processo e depois não conseguir dar continuidade?
É importante saber que se uma pessoa está em uma situação e não consegue sair dela é porque há um ganho ali. A situação pode ser muito ruim, mas um pequeno aspecto dela pode ter uma grande importância. E isso pode sabotar toda a tentativa de mudança. É preciso preservar algo da situação atual.
Vou usar um exemplo fictício sobre isso. A mulher me procura para coaching de emagrecimento, já tentou de tudo, até emagrece, mas recupera tudo um tempo depois, ou então, não consegue dar continuidade na dieta e nas atividades físicas. O que ela ganha se mantendo no estado atual? A princípio ela pode responder: “Nada! Eu não quero ser gorda! Nenhuma roupa me serve!”.
E outras justificativas mais do que lógicas. Então porque não emagrece e / ou dá continuidade no processo? Porque há um ganho. E se ela se interiorizar bem e perguntar profundamente para si mesma, pode começar a perceber a resposta. É preciso entrar em conexão mesmo e aceitar a resposta sem julgamento.
Pode ser por conta de ter relacionado o corpo magro com um corpo atraente e isso gera problemas de ciúmes no parceiro e instabilidade no casamento. Ou pode ser por conta de chamar a atenção dos homens e se tornar alvo da atenção e até de agressão, não necessariamente física, mas moral.
Também pode ser que cause inveja em outras mulheres do seu círculo social e busque no sobrepeso a tranquilidade de que nenhuma amiga vai sentir-se ameaçada na sua presença. Esse é o ganho do estado atual e, enquanto isso não for resolvido, sempre haverá uma sabotagem.

Como se resolve?

Posso trabalhar recursos, e quando falo de recursos, me refiro a estados emocionais positivos que me transportam para outros comportamentos. Por exemplo, se eu estiver conectado a um estado de autoestima posso, em uma situação de assédio sexual, tomar uma atitude onde consigo traçar os limites para o outro, conseguindo me impor de maneira assertiva e afirmativa.
E como faz isso? É muito fácil! O cérebro precisa lembrar-se da autoestima e, para isso, basta você se lembrar de alguma situação, não importa qual, onde você vivenciou a autoestima. Deixe o cérebro processar isso, se recordar e depois, traga esse estado emocional para a situação presente. Você vai achar que é mágica.
Podemos trabalhar crenças. Pode ser que você acredite que as pessoas tem inveja e, talvez, seja apenas uma experiência na sua vida onde isso aconteceu e você generalizou e transfere no presente para todos os outros acontecimentos que vive.
A crença é uma ordem que obedecemos de forma inconsciente porque acreditamos que é uma verdade e nem discutimos com ela. Nós temos muitas crenças, tanto positivas, como negativas.
Poderia dizer, até, que tudo são crenças! Desde que me toquei disso sempre me pergunto se o que eu acho é de verdade ou é apenas uma crença e, principalmente, se essa verdade me trás os resultados que busco. Claro que dá para desafiar uma crença, mas muitas vezes a crença é tão forte que nós acabamos distorcendo a informação para adequar àquilo que acredito.
A moça é bonita, mas se acha feia. Eu afirmo para ela: “Você é bonita!” E ela responde: “Imagina, são seus olhos.” Aí eu pergunto: “Quantas pessoas até hoje disseram que você é feia?” E ela responde: “Você acha que quem me acha feia vai dizer isso?” Ela acredita. E se você acredita que as pessoas tem inveja, pode ser melhor engordar. Aqui o desafio é um pouco maior: como se livrar de uma crença negativa. Depois de perceber sobre aquilo que você pensa, procure uma frase diametralmente oposta, algo que você até diga: “Impossível acreditar nisso”.
Mas se abra para a experiência de, durante algum tempo, olhar o mundo dessa maneira. Por exemplo, quando alguém olhar para você, pensar que o olhar é de admiração pelas suas qualidades. Ao invés de pensar que estão olhando porque você está com a calça rasgada, pensar que estão olhando porque você está muito bem vestida. E se admire também!
Se você esta lutando para conseguir conquistar algo, desistir pode ser a oportunidade de descobrir o que está te sabotando. Olhe com atenção para o que você está ganhando na situação atual. Às vezes, desistir é recuar para ganhar novas perspectivas e se encher de recursos ou novas crenças!