terça-feira, 10 de outubro de 2017

Vida de floresta


Por Isabel Galvanese


Existem teorias que nos são apresentadas pela primeira vez e parecem que já as conhecíamos de tão simples e lógicas que são. Nunca tinha pensado na vida social das plantas até ler o livro do engenheiro florestal, Peter Wofflleben, "a vida secreta das árvores" . Nesse livro fica claro que árvores precisam estar em grupos para serem saudáveis.
Sempre achei que uma árvore, por não se movimentar, tinha uma ligação somente com o solo, o sol, a chuva e os polinizadores visitantes.
Mas pensando bem , fica fácil comparar a resiliência de uma árvore numa floresta, num parque , na calçada de uma Rua, ou mesmo crescendo ao lado de corredores de ônibus, debaixo de fios e entre prédios. Não precisamos de nenhum cientista para ver que a árvore na floresta tem mais chance de sobreviver. Um grupo de árvores forma um solo mais nutritivo, um ar mais saudável, proteção aos ventos e resistência a pragas.
Nesse livro o autor até fala que a raiz de uma árvore pode nutrir a de outra se estiverem entrelaçadas. Isso para mim foi novidade!


Na mesma hora pensei na nossa vida social. Conheço pessoas que não conseguem viver em grupo, sempre reclamam dos outros, não se abrem para novas experiências, nem novos amigos. De tão fechadas, ficam engessadas com "aquela velha opinião formada sobre tudo". Não se abrem, não ouvem, não trocam e consequentemente não crescem. Conversar com elas é pura chateação, não tem novidade, criatividade, energia boa, é só reclamação!
Por outro lado, em outros ambientes onde pessoas diferentes se encontram para falar, ouvir, fazer projetos juntos, ou simplesmente conversar em volta de uma mesa, tudo é energia, um caldeirão de ideias criativas, com muitos pontos de vista.
A vida em grupo para as árvores, e para nós, não é fácil, competição por espaço, por alimento, água e sol. Temos que aprender a conversar e muitas vezes ceder.
Árvores sozinhas, e pessoas também, estão mais vulneráveis, fracas e tem que lutar com uma força muito maior para sobreviver.
Por mais cômodo que seja ficar no seu mundinho, somos sociais e precisamos interagir. É preciso fazer novos programas com pessoas diferentes e lugares variados. Uma verdadeira biodiversidade florestal! Assim, abrimos nossas cabeças para o céu, e não ficamos "plantados" no chão!