terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O meu deserto particular



Eu quero aproveitar esse momento para falar de coisas boas, lembranças, histórias e as minhas experiências.
Uma delas inesquecível foi à viagem que fiz para os Lençóis Maranhenses, há pouco tempo, um oásis de areia branca pontuado pelo azul das lagoas cristalinas.
De beleza indescritível, o lugar representa a paz que eu quero ter. Opa, isso me lembra a letra de uma música! Lá eu encontrei um pouco do que havia deixado pelo caminho durante o último ano.
Em meio a um povo simples, que vive basicamente da pesca e do artesanato, nunca me senti tão rica e tão pobre. Rica quando se compara bens materiais, mas pobre quando se trata de força espiritual.
Enquanto percorri as areias brancas encontrei cenários absurdamente lindos, foi como fazer parte de uma história de ficção em tempo real.
Jumentos, porcos, carneiros vagando livres pelas areias, soltos das amarras do homem. Famílias em casas de pau a pique, em um clima árido, onde a temperatura pode atingir facilmente 45º.
Enquanto meus olhos tentavam se acostumar à luz do sol e a sensação de estar sendo engolida pela areia branca, eu pude me sentir tão inteira e viva, que, pela primeira vez, em muito tempo, tive consciência da parte que me cabe neste mundo.
Somos o que somos. Somos as nossas crenças, os ideais, a memória que preservamos.
Envolvida pelas areias brancas e o silêncio ensurdecedor pude me perceber, enxergar com clareza a pessoa que me transformei desde que saí da casa dos meus pais, fiz faculdade, casei, tive filhos...
Eu ouvi os sons dos pássaros do deserto e de cima de uma montanha apreciei o pôr-do-sol.
Percebi que existe vida nos lugares mais improváveis. Nos olhares das crianças enquanto me espiavam de pé sobre as cercas de madeira, no bom dia dos senhores ao me cumprimentarem enquanto davam mais uma tragada nos seus cigarros de palha; havia vida nas mãos da senhora que preparou a mais saborosa tapioca de coco com leite condensado que já experimentei.
Hoje, quando algo me aborrece, tento lembrar essas cenas e me conforta saber que, por mais que os meus caminhos mudem, eu tenho um deserto a minha espera.