quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Babá de Tartaruga

Certas coisas nunca mudam, por isso é bom aprender a conviver com elas.
Como cheguei a essa conclusão?
Se eu não fosse dramática diria: de uma maneira pouco convencional.
Como sou dramática, insisto: da pior maneira possível.
Estava eu em meio a um grupo de colegas de trabalho, observando a entrega de alguns brindes, quando tocou o meu telefone, distraída com a conversa, ouvi quando chamaram o meu nome: Daniela...
Levantei ainda com telefone no ouvido.
– Desculpe, preciso desligar, pois estou em meio a uma confraternização e acabei de ser chamada para receber um brinde.
Pronto. Cheguei ao lugar mais exposto do mundo (exagero, claro!). Todos me olhando. Fiquei esperando me darem o brinde e ninguém falava nada.
Até a pessoa mais desligada do mundo perceberia que algo estava errado.
- Não me chamaram?
- Não, é a outra Daniela.
Pimba! King Kong!
Na hora, veio a minha memória uma frase repetida pelo meu pai, desde que eu me entendo por gente.
- Se dermos duas tartarugas para a Daniela cuidar, uma foge.
Pois é pai, hoje quem sentiu vontade de fugir fui eu.
Para não tornar a situação mais constrangedora para mim e também para os outros, voltei comportada ao meu lugar, dei algumas risadas e esperei o tempo passar.
Algumas horas depois eu estava rindo da situação.
Eu não sou desligada, isso seria um caso fácil de resolver. O meu problema é que sou ligada em muitas coisas e de vez em quando acontece um curto circuito.
Hoje, senti o fogo nas minhas faces, mas já me recuperei.
Algum detalhista deve estar se perguntando, afinal qual era o brinde que ela estava tão ansiosa para receber? O brinde era um panetone e um peru.
O pior, você acredite se quiser, mas eu nem gosto de peru.
Aliás, alguns minutos antes do acontecido eu estava exatamente falando da minha preferência por frango, que com toda a sua simplicidade faz parte de uma das minhas melhores e mais ricas lembranças de Natal.
É que quando eu era criança a minha família esperava o relógio marcar meia noite para começar a ceia.
Eu e as minhas duas irmãs ficávamos com muita fome e ansiosas pela coxa do frango. Então, sorrateiramente, roubávamos as coxas do frango antes dele ir à mesa. Mas, era a maior bronca da minha mãe.
Valia à pena correr o risco, pois eu lembro que no final todos acabavam rindo, contando alguma arte ou uma história especial de família.
Então, se o brinde fosse o frango eu até compreenderia o meu jeito afoito. Mas, peru...francamente!
Eu só posso dizer que o meu pai estava certo: não tenho talento para ser babá de tartaruga.