segunda-feira, 16 de julho de 2012

Memória Dorminhoca


Suando frio e rezando para não encontrar nenhuma viatura da guarda parada à beira da rodovia, eu pisei o pé no acelerador. Por dentro, eu xingava a plenos pulmões nomes que, por respeito a quem está tendo uma manhã calma e magnífica, não vou repetir. 
Enquanto eu acelerava, eu tentava refazer os meus passos desde o momento em que acordei, às 6h30.
O despertador tocou, ouvi o meu marido se arrumando no banheiro, levantei da cama, calcei os chinelos, escovei os dentes, me despedi do marido, me maquiei, coloquei a calça jeans, a malha de lã, relógio, perfume, fui ao quarto dos meus filhos...
...então, desci as escadas, coloquei o café na cafeteira, fiz um pão na chapa, liguei a TV e... NÃO LEMBRO.
O que aconteceu depois disso?
Mal virei à primeira curva na rodovia para ir ao trabalho e uma voz irritante me perguntou:

- Você desligou o fogão?
- Mas, porque você não perguntou isso antes? Tive vontade de perguntar, mas aí já seria loucura demais, já que estava sozinha naquele carro.

Mas, a voz teimava em me deixar insegura.

 –Você desligou o fogão?
Ok. Vou ligar em casa e acabar com a dúvida. Após 20 ligações, sem que nenhum ser humano tenha se prontificado a atender, pensei:
- Ou meus filhos foram abduzidos para Marte ou a minha casa pegou fogo.

Duas alternativas péssimas somadas a uma manhã chuvosa, de frio e com o relógio me açoitando as horas... é muita coisa para uma segunda-feira, mesmo para uma segunda-feira.
Por isso, suando frio, com o pé no acelerador, estava eu naquele momento retornando a minha casa.
Estacionei quase no meio da rua, abri o portão, entrei acelerada, abri a porta, corri para o fogão.

- Graças a Deus, tudo certo.

Corri para o quarto dos meus filhos, ainda estavam lá. Foi um alarme falso, estavam apenas dormindo.
Um peso enorme saiu das minhas costas, voltei a relaxar, tomei um copo d´água, peguei a bolsa, tranquei a porta e...NÃO LEMBRO.
Agora eu estou voltando novamente para casa, com o pé fundo no acelerado, pois não lembro se fechei o portão.
O que eu posso fazer se o meu corpo levantou da cama, mas a minha memória preferiu ficar embaixo das cobertas, quem pode culpá-la?
O dia será longo...