terça-feira, 6 de novembro de 2012

A solidão da gaivota

Eu não sei bem o momento em que nos vimos pela primeira vez.
Quando percebi, andávamos juntas na mesma direção. Eu e a pequena gaivota branca.
Ela estava na minha frente, mas parecia ter olhos nas costas e pressentir os meus passos.
Não foi nada combinado. É um daqueles encontros, que se torna especial justamente porque aconteceu por simples obra do acaso.
Ela já devia estar ali quando eu cheguei.
Sinceramente, não percebi a sua presença. Estava envolvida por tanto mar, areia e sol...
Mas, não demorou muito para perceber que a minha solidão estava acompanhada. Em alguns momentos, a gaivota parava, olhava para o mar e seguia com os seus passos lentos.
O tamanho pequeno e a cor branca das suas penas davam a ela um ar tão frágil..., pensei que talvez estivesse esperando alguém, pelo modo como olhava o mar.
Ela parecia me deixar aproximar e, quando isso estava prestes a acontecer, fazia um pequeno voo.

- Nem tão longe, nem tão perto. Seria essa a mensagem?

Aos poucos, entre os passos, a pequena pausa para olhar o mar e o voo, nós duas criamos uma sintonia.  
Para não estragar o momento, decidi não me aproximar demais.

- Ela está com medo, é tão frágil diante de mim, cheguei a pensar.
De repente, ela deu meia volta. Passou bem pertinho de mim e voltou pelo mesmo caminho por onde nós duas tínhamos caminhado.
Essa decisão inesperada e a pouca distância que por instantes ficou entre nós me surpreenderam.
Eu percebi que a pequena gaivota não mantinha distância por medo. Ela só queria seguir sozinha.
Cada vez que parava, olhava para o mar -  ela na verdade queria conferir se eu ainda estava lá.
E vendo que eu não entendia a sua agonia, a sua necessidade de ficar sozinha, deu meia volta e partiu. Simples.
Algumas atitudes confundem, mas o tempo revela e coloca tudo em seu lugar.

- Quem é mais frágil agora. eu ou a gaivota? Com esse pensamento, segui o meu caminho.