segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Vida Adulta


 
Qual a sua cor preferida? E a sua música? Se alguém quiser te agradar com um presente, o que deve comprar?
São perguntas simples, todas deveríamos saber responde-las sem pestanejar.
Mas, ultimamente eu tenho percebido que já não sei todas as respostas.
O que está acontecendo comigo? Ainda sou nova demais para alegar insanidade. A memória está meio gasta, mas não o suficiente para ter esquecido sobre mim.
Ora, eu me conheço há 38 anos. Então, o que há? Quando eu completei 28 anos (Parece que faz tanto tempo...) eu senti algo parecido com isso. Eu percebi, pela primeira vez, que não teria todo o tempo do mundo e que precisava me posicionar diante da vida.
Eu espichei a vista além de mim. Olhei para o futuro. Senti o que é ser responsável por outras pessoas, não apenas do ponto de vista financeiro, mas emocional.
Não sei bem quando comecei a me cobrar, mas o fato é que isso aconteceu. Eu não poderia errar com elas. Isso fez com que eu abrisse mão de alguns prazeres individuais, colocando o coletivo como prioridade.
E se estava bom para todos, também estava bom para mim.
Durante um longo tempo isso funcionou, mas hoje, 10 anos depois, eu me pego fazendo algumas perguntas impertinentes:
- Do que eu gosto e do que eu me acostumei a gostar? Será a crise dos 40 anos que está se aproximando?
Se antes eu precisei olhar além de mim para encontrar o equilíbrio e a felicidade, agora não paro de pensar que preciso fazer o movimento inverso.
Eu tenho algumas amigas que também estão passando por esse momento. Uma delas me contou que fez uma lista das coisas que mais gosta e fez questão de apresentar a família.
Para uma plateia espantada, ela abriu o jogo. Flores: somente rosas vermelhas; Cor Preferida: verde, etc e tal.
  - Eu ganhava presentes e, mesmo sem gostar, usava para agradar. Hoje o meu marido diz que estou sofrendo de “sincericídio”. Ela me contou, com um sorriso feliz.
Ao ouvir esse relato, percebi o quanto é provável que outras mulheres estejam fazendo os mesmos questionamentos que eu.
Estamos viajando juntas para dentro dos nossos corações. Espero que ele aguente as fortes emoções e que a gente chegue aos 50 anos de forma muito mais equilibrada.