terça-feira, 27 de maio de 2014

Exposição Imagem (Gráfica) na Estação Pinacoteca




“... dai à mão uma caneta com pena. Os cinco rios secos para esta irão confluir, e por ela despejar-se no mar de papel", Arnaldo Pedroso D’Horta.


Levanta a mão quem nunca desenhou imagens aleatórias no papel, só para deixar a mão viajar no papel enquanto os pensamentos ganham as nuvens?
Eu sempre faço isso. Talvez por gostar tanto de decoração, eu sempre começo a desenhar uma casinha e aos poucos acrescento árvore, flores e por aí vai.


A minha filha Luíza Carvalho prefere desenhos com imagens místicas ou mensagens que expressam os sentimentos de amizade ou revolta.
E foi exatamente nisso o que pensei quando visitei o 3º piso da Estação Pinacoteca, em São Paulo, para conferir a Exposição Imagem (Gráfica).
Longe de querer comparar nossos desenhos com os de artistas consagrados, ai de nós.
Mas é que as técnicas utilizadas por eles, como a xilogravura, por exemplo, para nós leigos, dá a impressão de ser algo muito simples, que remete as lembranças da infância.
Estão expostas cerca de 140 obras, do período entre 1647 e 2006, com ilustrações de livros e revistas a poster psicodélico, de papel moeda e selos postais a calendários, assim como obras de artistas como Jean-Baptiste Debret, Thomas Ender, Beatriz Milhazes e muitos outros.
A mostra apresenta uma seleção de gravuras realizadas nas mais diferentes técnicas, desde quando, com a disseminação do fabrico do papel no mundo ocidental, a impressão foi utilizada para a reprodução de imagens e textos - uma das conquistas fundamentais da Era Moderna.

Veja as gravuras que me encantaram:

1 – Bela Lindonéia - a Gioconda dos Subúrbios (1966)
 Obra de Rubens Gerchman, um artista plástico brasileiro, ligado a tendências vanguardistas como a pop art e influenciado pela arte concreta e neoconcreta. O artista usou ícones de futebol, televisão e política em suas obras. Neste quadro, utiliza a técnica de serigrafia a cores sobre papel.

2 – O sábado, 2000






Obra da carioca Beatriz Milhazes que faz colagens com embalagens de doces transformando- as em imagens abstratas, alegres e inspiradoras. Neste quadro, utiliza a técnica de serigrafia a cores sobre papel. "Não há nada mais sedutor que um papel de bala", afirma Beatriz. Um quadro dela, de 2001, intitulado “O Mágico” alcançou preço superior a 1 milhão de dólares num leilão da Sotheby’s em Nova York – recorde para um artista brasileiro vivo.



3 – Uruk, 2006

Obra Uruk, utilizando a técnica de fotogravura e litografia sobre papel, inspirada numa das cidades mais antigas no sul do Iraque, da artista plástica Josely Carvalho, que trabalha com gravura, pintura, poesia, elementos audiovisuais e fotografia. Morando em Nova York, a artista também mantém um ateliê no Rio de Janeiro.
4 – Desejo e Sorte, de 2006 
Obra de Fabricio Lopez, feita a partir da técnica de xilografia a cores sobre papel, que implantou um ateliê no bairro do Valongo, no centro histórico da cidade de Santos, onde desenvolve trabalhos em grande formato e uma pesquisa de cor e sobreposição pictórica através da xilogravura.

5 – Balada do Terror, 1970

Obra de Maria Bonomi, com a técnica de xilografia a cores sobre papel colado sobre aglomerado, um dos principais nomes da criação artística brasileira há mais de meio século. "Balada do terror" foi feita para homenagear Dulce Maia, a ex-militante da Vanguarda Popular Revolucionária, e todos os torturados pelo regime militar (1964-85).

6 – Sem Título, 1972

Tomie Ohtake, nesta obra utiliza a técnica de serigrafia e cores sobre papel, é uma pintora japonesa naturalizada brasileira. É uma das principais representantes do abstracionismo informal. Sua obra abrange pinturas, gravuras e esculturas, muitas delas expostas em locais públicos, principalmente na cidade de São Paulo, como pode ser visto no Auditório Ibirapuera. Tomie Ohtake é a mãe do arquiteto Ruy Ohtake.

7 – Gravura 4 – 1968,
 
Iberê Camargo, nesta obra utiliza a técnica de água forte e água tinta sobre papel. Pintor, desenhista e gravador, um dos mais importantes artistas brasileiros do século. Em princípios da década de 1960 o pintor abraçou conscientemente o não-figurativismo, do qual seria um dos principais senão o principal representante no Brasil, e do qual não se afastaria mesmo depois que a tendência deixou de seduzir nossos artistas.

8 – Gravura E, 1958
Arnaldo Pedroso D’Horta, nesta obra utiliza a técnica de xilogravura sobre papel, além de artista, era crítico de arte, ensaísta e jornalista. Tratava o desenho como uma arte de "alta precisão", como ele mesmo escreveu: "Para devolver ao mundo os restos da matéria que absorveu, para que essas emanações incolores se tornem legíveis, para que sua fala sem língua se faça audível, para que sua dança recenda perfume - dai à mão uma caneta com pena. Os cinco rios secos para esta irão confluir, e por ela despejar-se no mar de papel".

Estação Pinacoteca - Largo General Osório, 66 - São Paulo, SP - Tel. 55 11 3335-4990