sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Mico da Beleza


 

 
Pois é, eu estava conversando com uma amiga muito querida sobre a minha vontade de colocar botox para preencher algumas linhas de expressão, disfarçar os pés de galinha em volta dos olhos, essas trevas que tomam conta do rosto, principalmente quando chegamos aos 40.
A razão da nossa conversa naquele dia é que, apesar de querer corrigir essas imperfeições, eu ainda sinto medo do botox.
Eu conheço bastante gente que já fez as aplicações com a toxina e a maioria ficou muito melhor do que antes. A pele ficou mais lisa e a aparência muito mais jovem.
Qual é o medo?


No meu caso, eu tenho receio de ficar diferente e não me reconhecer quando olhar no espelho.
Sabe quando a gente faz a sobrancelha e dá tudo errado?  Cada vez que a gente olha no espelho é um susto? Então...
Mas, sobrancelha é algo que se conserte rápido e o botox?
Papo vai... Papo vem...
E após ter quase certeza de que já tinha me convencido (só para avisar: ainda não me convenci), a minha amiga começou a contar o mico que tinha passado em um consultório médico.
Ela tinha até lá com outra colega (que não era eu) em busca de informações sobre uma possível cirurgia plástica, algo mais radical.
Na entrevista com o médico, a conversa fluindo bem para os dois lados, quando a sua colega na maior naturalidade, perguntou:

- Doutor, eu ouvi dizer que o senhor não está fazendo mais cirurgia porque a sua mão está trêmula?
A minha amiga disse que o médico se transformou em um monstro. Começou a chacoalhar as mãos na frente delas, como se tivesse se tremendo todo. Foi um choque!
Elas saíram de lá rapidinho, com ele logo atrás, fazendo o gesto com as mãos e dizendo alto:

- Olha só como estou tremendo... Estou tremendo todinho...
Eu ri muito quando ela me contou essa história. Mas, ela não achou a menor graça porque, depois desse mico, ficou com vergonha de retornar ao médico. Eu também ficaria.
Isso é coisa que se fale para um cirurgião? É quase uma ofensa.
Mas, ela falou e agora está falado.
Além disso, desculpe doutor, mas um médico que lida com tantas mulheres devia entender que às vezes falamos sem pensar. Acontece.
Eu sempre tento enxergar a vida pelo lado bom, talvez isso tenha acontecido para que a minha amiga não fizesse a tal cirurgia. Afinal, ela é uma mulher maravilhosa.  
E sabe o que mais? Isso me fez pensar que, na maioria das vezes, o nosso pior inimigo somos nós mesmas.