segunda-feira, 9 de maio de 2016

Livro | Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, de Marçal Aquino



Uau!
Eu sei que essa não é a forma adequada para começar uma resenha.
Mas, você entende quando digo que eu li esse livro como se estivesse comendo com farinha?
Pois é, tudo nele me conquistou. Da imagem árida do garimpo, no Pará, até a forma como o autor descreve os personagens: os comerciantes inescrupulosos, prostitutas e os assassinos de aluguel.
A história do livro gira em torno do fotógrafo Cauby que se envolve numa história de amor clandestino com Lavínia, uma mulher sedutora e instável.
Desde os primeiros capítulos, o leitor pode sentir que algo de ruim vai acontecer. Mesmo assim, como se estivessem sendo movidos por uma força superior, os amantes parecem, de fato, não se importarem em morrer de amor.
Cenários, tipos humanos, diálogos, peripécias: nada é o que aparenta à primeira vista. O livro é um território ambíguo, avesso a estereótipos, um lugar onde o silêncio explica tanto quanto as palavras.

“…Schianberg escreveu: o detalhe é a alma de toda fantasia. Qualquer detalhe, por mais inusitado ou pervertido que seja. Daí os fetiches. A particularidade do desejo. E um detalhe pode tornar-se muitas vezes mais excitante que a própria fantasia”.

Neste livro, o personagem principal tem o seu próprio mentor: Professor Schianberg, o mais obscuro dos filósofos do amor (conforme ele mesmo descreve), que aparece nos momentos mais oportunos, com frases que vão ficar na sua cabeça por algum tempo.
Pelo menos, ficaram na minha.
Eu receberia as piores notícias dos seus lindos, em 2012, foi parar nas telas do cinema, dirigido por Beto Brant e Renato Ciasca.
Eu não assisti, mas sinceramente acho que está bom assim. Não quero descontruir às imagens dos personagens que eu criei ao ler o livro.
“Queremos o que não podemos ter, diz o professor Schianberg, o mais obscuro dos filósofos do amor. É normal, saudável. O que diferencia uma pessoa de outra, ele acrescenta, é o quanto cada um quer o que não pode ter. Nossa ração de poeira das estrelas”.

É uma história crua e a forma como é narrada parece muito real, como se um dia Cauby e Lavínia tivessem mesmo existido e vivido uma história de amor deliciosamente insana.
Prepare-se para cenas fortes e sensuais. As tardes de encontro de Cauby e Lavínia são calientes. Sexo ardente e urgente, ulá, lá! Rsrs.
No livro, a sedução em uma ambiente hostil é vista como o jogo mais arriscado do que a loucura e brutalidade e entregar-se aos seus caprichos se torna a prova mais difícil de um homem.
Aquela que nas palavras do próprio Cauby acaba definindo a sua sorte:
“Quero saber quantos tiveram a coragem de ir até lá. De encontro ao fim. Eu tive”.