segunda-feira, 23 de maio de 2016

Qatar, nosso refúgio no deserto

Por Valéria Souza Ramos



País de muito sol e de belezas áridas, o Qatar é nosso destino favorito para escapadas do deserto. Vizinho da Arábia Saudita, onde vivemos, o Qatar é considerado o país mais desenvolvido do mundo árabe. Não gosto muito de enfatizar a política e a economia quando pretendo escrever mais descontraidamente sobre minhas viagens, mas para entendermos melhor todo o glamour do Qatar é preciso mostrar um pouquinho de sua história econômica e política.

A capital, Doha, concentra 85% da população e se confunde com o próprio país de monarquia absoluta, governado desde a metade do século XIX pela família Al Thani. O alto rendimento nacional tem origem na exportação de petróleo e gás natural. O oitavo emir do Qatar é Tamin Bin Hamad Al Thani. O emir possui a palavra final em todas as questões e a Assembleia Consultiva tem autoridade legislativa limitada para elaborar e aprovar leis.

Com quase 2 milhões de habitantes, apenas 8% são qataris, a maioria da população é formada por trabalhadores expatriados de outras nações árabes, do subcontinente indiano (Bangladesh, Paquistão, Sri Lanka) e outros países do ocidente. Imagina o mix cultural que encontramos por lá! Como na maioria dos países do Golfo, a mão de obra para levantá-los é quase toda estrangeira, assim como meu marido, que trabalha como expatriado pelo deserto. Já encontramos vários brasileiros que vivem no Qatar atualmente, com trabalhos relacionados ao petróleo ou à aviação. Por conta da falência de companhias aéreas brasileiras, os pilotos bem qualificados acharam um espaço de trabalho na conceituada Qatar Airlines.
O Qatar é um país muito atrativo, não apenas por seu desenvolvimento em vários sectores relacionado ao petróleo e gás, mas também devido a seu investimento no meio científico e esportivo. Antes da sua independência, em 1971, a economia do país centrava-se no comércio de pérolas e na pesca. Agora possui a maior reserva de gás natural do mundo e muito petróleo. É um dos poucos países do mundo onde seus cidadãos não pagam impostos.
 


Como é uma península no Golfo Pérsico, rodeada pelo deserto, não possui água doce, mas conta com cinco grandes estações de dessalinização que fornecem, juntas, 75% de toda a água consumida no país. Importa 90% dos alimentos que consome, por não possuir água suficiente para sua agricultura. É um país que aposta nas fontes de energia renováveis, principalmente na energia solar. A região tem um dos maiores índices de radiação solar do planeta.
Aos meus olhos é um país encantador, para onde gosto de ir ao menos uma vez por ano, para acompanhar seu lindo progresso. O Qatar estará nos olhos do mundo inteiro na Copa do Mundo de 2022, e desde já o país se prepara com construções de estádios climatizados e com excelentes infraestruturas. Aliás, é um país voltado para o desenvolvimento, mas que lapida sua cultura a cada dia.

Museu de Arte Islâmica do Qatar 


O Museu de Arte Islâmica do Qatar é um lugar magnífico construído em uma ilha artificial na orla marítima, a Corniche de Doha, com o impressionante parque MIA ao seu redor e a bela vista do centro de Doha. Considero uma parada obrigatória para quem vem visitar o Qatar. De arquitetura moderna, o museu foi projetado pelo premiado arquiteto chinês I. M. Pei, o mesmo que construiu a pirâmide do Louvre em Paris. O museu tem exposições permanentes e temporárias sobre a cultura e a arte islâmica e também sobre a história do Qatar.








Na última visita ao museu tivemos a sorte de assistir a um concerto de música clássica (Brandenburg Concertos de Bach).


Este é um Astrolábio Oriental, um presente de bodas para meu marido que tem muito interesse em objetos de cálculos. Há mil anos eles se viravam muito bem com este instrumento que era usado para saber a altura do Sol e das estrelas no céu, para resolver problemas geométricos e medir distâncias.
A entrada no museu é gratuita, mas fiquem atentos aos horários, pois os qataris não costumam ter o famoso jeitinho brasileiro. Às sextas-feiras, dia sagrado para os muçulmanos, o museu abre ao meio-dia e nós chegamos às 11h45. Depois de ter caminhado um bom tempo embaixo do sol de 40 graus, eu necessitava ir ao toillet, quase implorei para o porteiro, mas não teve jeitinho. Isso me rendeu uma boa frustração, mas ela foi compensada depois, quando aproveitei a agradável visita e a bonita estrutura do museu. Você encontra até um restaurante com chef com estrelas do Guia Michelin, o francês Alain Ducasse. Há um restaurante no piso superior e uma cafetaria no térreo, onde podemos comer bem por um preço justo. Nos deliciamos com um smoothie de tâmaras e uma salada de grãos ao pesto.


Doha não é uma cidade muito grande, mas tem inúmeras opções de programas turísticos. Neste post é impossível destacar todos, mas vou apresentar algumas dicas que considero fáceis e imprescindíveis para quem pretende passar pouco tempo na cidade.

Souq Waqif


No Souq você encontra muitas variedades de produtos árabes, de vários países do Oriente. Também pode ser um bom lugar para um autêntico café da manhã qatari, no Zaatar, uma espécie de fast food árabe com produtos frescos e saudavéis. Adoramos o Manakkesh, um tipo de pão sírio fininho e crocante com as especiarias árabes.




Eu adoro luz, por isso estou sempre atrás das luminárias. Tem cada uma de tirar o fôlego, o problema de sempre é o volume na bagagem: que pena! Observe que nas fotos estou sempre usando um chalé para cobrir os ombros, este é o mínimo de respeito que devemos manifestar quando visitamos os países mulçumanos, pois para eles os cabelos e os ombros são considerados partes eróticas do corpo.


Caminhando pelo Souq Waqif ou mesmo pelos modernos shoppings de Doha, você poderá visitar várias lojas especializadas em perfumes manipulados. Não perca essa oportunidade! Era atrás disto que eu estava também. A limpeza é uma obrigação no Islã, por isso a higiene pessoal e o bom aroma das pessoas e seus lares fazem parte da cultura.



"A alma ou o espírito humano é o seu centro de energia, e é reforçada por cheiros agradáveis. Então, quando você pulverizar um bom perfume, ou acender um incenso, ou mesmo quando você sentir o aroma de café fresco ou de uma refeição bem cozida, um vislumbre de felicidade se arrasta em seu coração e seu espírito fica elevado e re-energizado".
Um artigo árabe muito procurado nestes souqs é o Mabkhara, um incensário onde é queimado o Bukhoor encontrado em todo o mundo árabe e na Turquia. O Mabkhara também é usado para perfumar a casa e as roupas. É uma tradição em muitos países árabes passar o Mabkhara com o Bukhoor entre os hóspedes como um gesto de hospitalidade. O Bukhoor é uma mistura de ingredientes tradicionais que leva, principalmente, lascas de madeira (Oudh), resina embebida em óleos aromáticos junto a outros ingredientes naturais (âmbar, musk, sândalo, óleos essenciais, etc.).


Outro artigo árabe bem popular é o masbaha. Trata-se de uma das ferramentas usadas para o “dhirkr”, uma técnica de memorização, por meio de repetição. Seria como o terço para os católicos.

Em frente ao Souk há uma praça onde você pode sentar e observar também o prédio do Instituto de Ensino Islâmico. Debaixo dos 40 graus eu não resisti, deixei fluir o meu lado moleca de ser e me diverti com a fonte fresquinha!



The Pearl: uma miniatura de Veneza no Qatar! 


Para não me estender muito mais, deixo aqui algumas fotos que fiz do The Pearl, o mais novo bairro de Doha. É um lugar moderno, chic, colorido, fresquinho... Cheio de coisas para descobrir. The Pearl é uma ilha artificial linda, favorável aos esportes aquáticos e às caminhadas.


Há uma praia só para os moradores do bairro em que se pode usar bikine, em praias públicas, somente os burkinis. O burkini é um traje de banho que só deixa à mostra parte do rosto, as mãos e os pés.
Dou um destaque para o Hotel Kempinsk, especialmente para o Antica Pesca, tradicional restaurante de Roma que agora está agradando os paladares dos amantes da boa cozinha no Qatar. O Antica Pesca é minha nova paixão no Qatar. Alem do chef italiano muito simpático, você será recepcionado por uma brasileira bem atenciosa.


A foto retrata um delicioso momento de uma brasileira que adora uma cervejinha, e que vive num país onde não pode encontrá-la. As bebidas alcoolicas são proibidas na Arábia Saudita. Aqui no Qatar, assim como na maioria dos países do Golfo, o alcool é liberado, mas só em bons restaurantes e hotéis. Você nunca encontrará cerveja no supermercado.


Frutos do mar do Antica Pesca: fresquinho como os frutos do Golfo Pérsico que está a sua frente.Experimentei por lá uma nova maneira de tomar gin tônica, deliciosamente à maneira italiana: com gotinhas de café e laranja. Isto é para pensar em voltar!
Se tiver em Doha, passeie tranquilamente pela noite na Corniche, apreciando o contraste das luzes dos gigantescos edifícios, no belo Golfo Pérsico e não deixe de visitar:

▪ Katara Cultural Village: uma minicidade na Corniche, cheia de encantos e cultura
▪ Cidade Esportiva
▪ Villagio Mall
▪ City Center
▪ Safari no deserto
▪ Marina