segunda-feira, 20 de junho de 2016

Velomobiel: um modo diferente de viajar



Por Valéria Souza Ramos

Meu marido sempre teve muito interesse por ecologia e tecnologia e encontrou algo que satisfazia seu desejo de estar ativo e preservar a natureza. Em uma exposição na Alemanha descobriu o Velomobiel, uma bicicleta bem diferente, com três rodas e uma cabine, que permite pedalar sem se molhar na chuva e nos dias branquinhos de neve do inverno. Meu marido resolveu comprar o tal Velomobiel para ir trabalhar. Ele o equipou com acessórios técnicos como GPS, luzes, buzina... Ficou parecendo um carro, mas com funcionamento mecânico, dependendo só das nossas pernas para ganhar vida. Este foi mais um dos brinquedinhos do Joris. Também começamos a fazer viagens de bicicleta. Fomos da Bélgica a Holanda, França e quase chegamos a Espanha. Fizemos um trecho grande do caminho de Santiago de Compostela. Foram 800 km de puro prazer junto à natureza e passando por cidadezinhas sossegadas. Uma das viagens mais bonitas da nossa vida. 







Como estes percursos dependem de tempo, ficamos limitados aos dias de férias. Deixamos em nossos planos para terminar o caminho quando tivermos um longo período livre e com as condições físicas que exigem a viagem. Logo ela sai!
 

Meu recorde foi a viagem de 800 km em uma semana com o Velomobiel, mas meu querido esportista Joris pedalava 75 km diários para ir ao trabalho. Assim economizava combustível, fazia esporte e se livrava dos engarrafamentos de nossa casa até Antuérpia, cidade onde trabalhava na época. Ele fez 12 mil quilômetros em um ano de uso na Bélgica antes de vendê-lo tristemente quando nos mudamos para a Espanha. Na época em que fomos para Madrid, a cidade não possuía ciclovias ou faixas para bicicletas, manter o hábito de ir ao trabalho pedalando como fazia na Bélgica representava um risco para sua vida. Para não nos despedirmos de vez da prática ciclista, adquirimos um triker que trouxemos para a Sandlândia na mudança, mas ele não foi bem recebido por nossos seguranças aqui na Arábia e tivemos que enviá-lo para o Brasil.



Com minha preocupação e com dor no coração, Joris pedala por São Sebastião, no litoral paulista. Nossa cidade não tem ciclovias e cuidados com os ciclistas, entretanto estamos felizes por perceber que o povo brasileiro começa a reconhecer a importância e o valor deste meio transporte. Sigo aqui acreditando que uma hora dessas as ciclovias serão implantadas por todos os lados do nosso lindo Brasil. Apesar de trabalhar com petróleo, ele afirma que o Velomobiel, tal como as bicicletas, será o transporte do futuro. O pretinho poderoso está com seus anos contados.
Na Sandlândia, país onde a mulher tem menos ou quase nenhuma liberdade de expressão, não posso ir para a rua de bicicleta com roupa esportiva nem sair para dar uma corridinha no parque, a não ser que o faça com a abaya (uma espécie de burka) que só vai me causar uns bons tombos. Então resolvi praticar no condomínio onde moramos o SUP stand up, tênis e volleybol. Aqui posso andar à vontade, com roupas mais adequadas para este calor danado que sempre temos durante todo ano.