sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Essa difícil arte de amar


Por Giobert M. Gonçalves 
Eu tenho ouvido demais as pessoas reclamarem sobre relacionamentos, que ninguém mais quer compromisso sério e que todo mundo quer só ficar. Elas contam que conhecem uma pessoa, que ela fica interessada durante uma semana e depois some, o telefone para de tocar e o wathsapp não recebe mais nenhum emoji. E elas não entendem o que acontece.
Pois eu pensei muito (nem tanto assim) e matei a charada. O que não contam é que elas também conhecem alguém e ficam por uma semana, percebem que ele ou ela não é o par perfeito e “desaparecem” via wathsapp, com aquele silêncio do qual, elas também reclamam. A gente só lembra o que é feito com a gente; do que a gente faz a memória esquece.
Mas vamos pensar direito. Você conhece a pessoa que é o seu número e se esquece de perceber se você é o número dela! Sejamos menos ingênuos. Nos tempos atuais a chance de sermos felizes é bem maior do que na época da minha avó. Naquela época, o casamento era uma loteria sem direito a devolução de prêmio, não havia teste drive. Se algo desse errado era “até que a morte nos separe”. Eu não esqueço o bordão do José Wilker no remake de Gabriela, quando ele diz para Maitê Proença: “Hoje vou lhe usar”.
Bom, voltando à liberdade de experimentar, o efeito colateral disso é justamente a alta rotatividade. A catraca roda numa velocidade impressionante. E quem não quer entrar nesse jogo, seja por conta de valores ou por conta de recato, perde o bonde. Eu sempre levanto uma questão para as pessoas: em qual posição você está? Se você é a pessoa que pergunta se o outro ou outra vai gostar de você, está em uma enrascada. A pergunta correta é: eu vou gostar dele (a)? E se não gostar... vira a roda. Mas seja decente, antes de emudecer o celular, diga que não rolou. Apenas isso: Não rolou! E nem tente ser elegante, não há elegância nenhuma em dar um fora. Pode, no mínimo, haver educação e respeito.
Outro dia eu vi um post no face onde a proposta era descrever o ex ou a ex com o título de um filme. Eu imaginei que seria uma brincadeira divertida e pensei que filme seria o meu ex. Escolhi “A família da noiva” porque a família dele era muito grande e com todos aqueles rolos de família grande e, também, com todo o amor de uma vida. Fui muito feliz. Mas ao ler a lista de filmes que estava no post eu me assustei. Segue uma pequena lista de títulos para vocês, meus leitores, terem uma ideia: Poltergeister (que monstro é esse?); O Grande Mentiroso (sem comentários...); Onde os Fracos Não Tem Vez (confesso que não entendi); Peter Pan (ser mãe do namorado não dá!); A Múmia (Deus me livre!!!), E o vento levou (pra onde foi, alguém viu?); Segredos e Mentiras (me poupe santa ingenuidade); A morte lhe cai bem (isso foi praga?), Entrando numa fria (quantos anos você tem?), O exterminador do Futuro (do meu futuro – que drama!); 10 coisas que eu odeio em você (gente! Pra que ficou até descobrir 10!), Inimigo oculto (acorda Alice), Um drink no inferno (fico imaginando em que bar você achou isso); Psicose (é o fim); e seguia mais. Claro que tinham títulos como o meu, mas a quantidade dos títulos dos infelizes era muuuuuito maior.
Aí me perguntei: Será que esses “exs” (o plural de ex é muito polêmico na língua portuguesa porque não era para ter tantos “exs”, acho eu... rs) foram testes drives ou uma relação um pouco maiorzinha? Se foi teste drive, prefiro encarar realmente como uma brincadeira, porque se o sentimento for verdadeiro em relação à referência dos filmes, só resta torcer para quem deu o título conseguir ter uma visão um pouco mais positiva da vida. Talvez, justamente não deu certo a relação porque a própria visão é turva.
E se foi uma relação maior, aí meus amigos, torço para que eles desenvolvam uma maior acuidade na hora de escolher aquele (a) com o qual querem dividir seu precioso tempo. Afinal, todos merecem o que há de bom e de melhor no amor. Escolham bem o seu amor, mesmo que ainda não seja o amor eterno.