quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Bichinho: morada de artesãos, da paz e da beleza



Pertinho da cidade de Tiradentes, há cerca de 20 minutos, fica a comunidade de Bichinho, uma pequena vila de artesãos em meio à mata, que pertence ao município de Prados.
Chegar até lá é muito fácil. A estrada é tranquila e bonita, com vistas para as montanhas.
No caminho, eu encontrei muitas lojas de artesanatos, mas o que me deixou encantada foi conhecer alguns artistas artesãos.


Lá eu tive contato com pessoas muito talentosas e divertidas, que abriram as portas das suas oficinas e também dividiram comigo as suas histórias de vida.  
Se você gosta de artesanato sabe que uma peça passa a ter um valor afetivo quando se conhece o artista que está por trás dela é como se, a partir deste momento, ela ganhasse uma certidão de nascimento.


Por isso, sempre que eu me apaixono por alguma obra de arte eu quero conhecer o seu criador.
Quando isso acontece e percebo que tenho alguma afinidade com o artista é sempre uma grande alegria para mim. A peça que já era admirada pela sua forma passa a ter uma “alma” e a fazer parte do meu conjunto de memórias.
E foi isso o que aconteceu em Bichinho.
Logo no caminho encontrei uma família que trabalhava à beira da estrada. Enquanto alguns quebravam as pedras, outros criavam lindas esculturas. Todos trabalhando juntos!
Mas, esse foi apenas o começo.


Durante o meu passeio pelo vilarejo eu conheci a Lenisa, que há 16 anos possui a Loja Bicho da Terra. Na oficina atrás da loja, ela produz objetos de madeira de cedro como flores, frutas, oratórios de parede, quadros com imagens do espírito santo, entre tantos outros.
O que chamou a minha atenção foi o “casal de mineiros” que eram feitos com muito capricho e em grande diversidade de cores. Uma graça.
Ela me contou que sua primeira aventura no mundo do artesanato foi pintando peças de gesso, mas percebeu que se identificava mais com a madeira e não parou mais de produzir objetos com essa matéria prima.


Apesar do sorriso no rosto e de continuar a produzir com entusiasmo, Lenisa confessou para mim que a crise econômica também tinha deixado suas marcas em Bichinho e que esse ano, apesar de todo o seu esforço, “ficou trocando cebolas”.
A prosa mudou e passamos a falar sobre a economia do país, as vantagens de levar uma vida simples e morar em um lugar onde todos se conhecem e se ajudam.
No final, nós nos abraçamos e agrademos pela vida que levamos e que nos proporciona encontros com pessoas especiais. 
  

Por fim, a Lenisa nos apresentou a Zezinho, um artesão muito habilidoso e criativo, que transforma palha de milho e papel crepom em flores. Uma técnica que ele apelidou de “origami mineiro”.
Como foi especial conhecer o ateliê de Zezinho com flores lindas de vários formatos, tamanhos e cores.


Vendo a minha expressão de encantamento, o artesão passou a me contar um pouco sobre a sua vida, como foi o caminho que percorreu desde que saiu das casas dos pais para estudar Letras em Belo Horizonte até passar a fornecer suas flores para novelas e séries da TV Globo.
É isso mesmo, Zezinho morador da pacata vila de Bichinho, com toda a sua simplicidade e jeito quieto típico do mineiro, é um artesão muito prestigiado.  
Ele já produziu flores para minisséries como Memorial de Maria Moura, Amazônia, JK e Hilda Furacão; as novelas Sinhá Moça e Cordel Encantado e para o filme Chico Xavier, entre outros.
Eu queria levar todas para casa, mas me contentei com um buquê de copos de leite.


Adorei conhecer o Zezinho e sei que um dia eu volto ao ateliê dele para comprar mais flores. Sempre que eu penso na nossa converso, lembro a música que dizia: “... eu vejo flores em você”.
Se você estiver em Tiradentes, vá visitar o vilarejo de Bichinho e aproveite para levar o meu abraço ao Zezinho e a Lenisa.