domingo, 23 de abril de 2017

Exposição mostra a origem e os costumes do povo caiçara


Se você procurar no dicionário o que significa a palavra caiçara vai encontrar muitas definições e uma delas é: palavra de origem tupi, que se refere aos habitantes das zonas litorâneas, surgidas a partir do sec. XVI, com a mistura de brancos e índios.
Donos de uma cultura plural, adquirida da convivência com os portugueses e os índios, são lembrados pela coragem que demonstram no mar e a perseverança e a fé com que trabalham a terra. 


Restam poucos caiçaras que ainda preservam os antigos costumes, tradições e manifestações artísticas e culturais.  
A maioria vendeu sua terra em troca de objetos sem valor ou promessa de uma vida mais confortável na cidade. 
O desenvolvimento urbano, a valorização dos terrenos próximos ao mar e os altos impostos cobrados pelo governo expulsaram os caiçaras do seu território natural. 


Embora ainda esteja viva na memória dos seus descendentes e conste em alguns livros, é importante que a história do povo caiçara seja contada para não ser esquecida pela nova geração. 
Essa sem dúvida é a maior contribuição da Exposição do Projeto Origens Fase III - Caiçara, que estará no Macc (Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba) até o dia 10 de junho. 
A mostra, que foi idealizada pelos artistas dos Grupos Ubuntu e Oca, de Caraguá e Ubatuba, respectivamente, está dividida em três salas. 


Na primeira sala estão as peças que nos rementem a religiosidade e as festas celebradas pelos caiçaras. 
Cada artista lançou um olhar muito particular sobre esses temas, mas juntas as peças criaram um conjunto harmônico e diversificado. 
Podemos ver a imagem do estandarte de reisado e a máscara de palhaço de Folia de Reis, criados pela ceramista Lu Chiata. 


A imagem de São Pedro, santo protetor dos pescadores, do ceramista Carlo Cury, que está rodeada por gaivotas e próxima a procissão de barcos formada pelo conjunto de quadros na parede. 



Ainda chama a atenção a imagem de Iemanjá, em tonalidade azul do mar, com sua coroa dourada. 


Na segunda sala, o tema é livre e os artistas deram asas à imaginação para retratarem o dia a dia do povo caiçara e seu respeito pelo mar e os animais dessa terra. 
Assim entramos no universo de uma gente simples, colorida que conseguia tirar poesia mesmo diante das dificuldades da vida. 


Brincava com os vagalumes nas noites escuras... 


E se divertia ao observar as formas engraçadas do baiacu. 


Mas, esta sala também mostra que, apesar de toda a sua força, o caiçara não conseguiu conter o desenvolvimento urbano e a chegada dos imigrantes e turistas às suas terras.  
Esse movimento está retratado de forma muito inspirada na peça "Torre de Babel". 



Na última sala, as peças relatam as lendas contadas pelo povo caiçara e que passaram de geração a geração. 


Para quem quiser conhecer as lendas que inspiraram essas peças, há um espaço com livros reservado para leitura. 



A lenda da cobra grande. 

A lenda da baleia que esteve na praia do Massaguaçú, por 2 ou 3 meses, antes de seguir para São Sebastião, onde foi morta e acabou dando nome a uma praia.  


A lenda da porca com os seus filhotes que apareciam no bairro Porto Novo e depois desapareciam de forma misteriosa. 

O saci.


É uma exposição muito sensível, criada com bom gosto e originalidade.


Tudo parece ter sido pensando para nos fazer lembrar não apenas dos antigos caiçaras, mas do quanto somos privilegiados por viver em uma terra linda e com muitas histórias.  
Parabéns aos artistas e todos que participaram deste projeto.